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O que muda na mentalidade das gerações com a pandemia da Covid-19

O que muda na mentalidade das gerações com a pandemia da Covid-19

September 2020

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Estamos acostumados a caracterizar o comportamento das pessoas relacionando-as às gerações nas quais elas cresceram.

Por: Eline Kullock, Managing Director do escritório de Stanton Chase em São Paulo, Brasil

A Geração Y (1980 – 2000), agora já ocupando cargos de Diretoria nas empresas, são homens e mulheres que nasceram num mundo mais conectado e sempre se sentiram muito empoderados porque cresceram em meio ao desenvolvimento da tecnologia. Eu a chamo de geração “Miojo”, porque quer tudo pronto instantaneamente, como no mundo virtual, e vivenciam uma realidade bem diferente das gerações anteriores. Quem tem entre 40 e 20 anos não sabe o que são as filas de banco, nem a espera, às vezes de anos, para obter uma linha telefônica em casa. Desconhece a saga para encontrar qualquer produto mais difícil no mundo real, precisando ir, literalmente, de loja em loja até achar – ou não!

Eles também se sentem muito capazes de resolver problemas, afinal a tecnologia é muito “user-friendly”. E além disso, seus pais os criaram com todos os psicólogos orientando a não causar traumas nos filhos. Dizer não virou quase um palavrão.  A ordem era dizer-lhes “yes, you can!”. Vocês são ótimos, maravilhosos, podem conseguir tudo! Isto os faria crescer sem frustrações e se sentindo com alta autoestima. Talvez tenhamos errado na dose…

A Geração Y cresceu num momento de expansão do mercado no Brasil, antes de pegar uma crise grande pela frente.

Eles pularam de empresa em empresa, compreendendo que tinham capacidade e possibilidade de conseguir um emprego melhor e mais agradável em outra companhia, de forma razoavelmente fácil. Sua ligação com as organizações nunca foi tão profunda e nos acostumamos a ver currículos com vivência de no máximo 2 ou 3 anos em cada lugar, quando anteriormente esse comportamento era observado com desaprovação, pois significava um profissional que “pulava de galho em galho”.

E a geração Z, que começa nos anos 2000, já está entrando no mercado de trabalho e pega um ambiente completamente diferente pela frente. A pandemia de Covid-19, que começou na China, no final de 2019, e desembarcou no Brasil com força total no começo de 2020, cria um corte definido entre gerações e provoca mudanças de hábitos e costumes, para que se possa definir a concepção de um novo padrão geracional no mercado de trabalho.

Os Zoomers chegam num momento global mais incerto, impermanente, indefinido, com dificuldade acentuada de planejamento do futuro e mudanças mais súbitas. Não que isto tenha acontecido da noite para o dia. Tudo neste mundo é um processo, que culmina agora com a pandemia do Covid-19. E tem consequências no comportamento e na forma de pensar desta geração: suas relações afetivas são mais efêmeras, as decisões estão ligadas ao presente e não ao futuro, sua percepção de mundo é de um lugar mais inconstante. Assim, esta geração também o é.

Em 2020, há perguntas sem respostas por toda parte. Ninguém sabe como será o planeta no final deste ano! A morte pode vir de súbito, sem que ao menos lhe seja permitido os rituais de luto e pesar. Os nossos poetas já escreveram sobre a necessidade de lamentar a perda de alguém querido. Nesta nova sociedade do agora, o luto também foi praticamente eliminado e essa geração talvez amadureça sem a elaboração adequada da morte. Fabricio Carpinejar, em seu texto “A dor da perda”[1] (2014), já dizia:

“A dor da perda exige tempo para doer. Saber não é ainda sofrer. Nos despedimos de alguém por fora. Mas demora para nos desperdirmos por dentro, pelo silêncio e pela saudade…demora muito tempo para uma ferida encontrar a saída. A surpresa é apenas o começo do luto”.

Mais “enjoy” do que “collect”

Há muitas variáveis nas carreiras da Geração Z: como o mundo é tão inconstante, a empresa pode ser comprada amanhã. Ou a razão daquele emprego existir pode desaparecer, pois descobriu-se uma forma disruptiva de fazer o produto ou serviço, tornando aquele trabalho tão obsoleto quanto escrever cartas. Aliás, quem se lembra como era o papel de carta? Será que ainda existem folhas finas, feitas especialmente para o envelope ficar leve e a postagem custar menos?

Os Zoomers talvez que não pensem na compra do carro, porque esse meio de transporte pode não durar. Não se imaginam financiando um imóvel por 30 anos, pois podem desejar se mudar logo, de bairro, cidade, estado ou país – o trabalho remoto possibilita isso. Diante deste cenário de incertezas, como pode a empresa, ou a sociedade, esperar dessa geração um comportamento de equilíbrio e maturidade? De compromisso com a organização e o Estado, quando a questão de sobrevivência atingiu um grande número de pessoas no nosso país, em todos os países, e em todas as classes sociais?

Como é possível comprometer a Geração Y e a Geração Z trabalhando em home office, vivenciando todas estas questões na nossa organização, com a sociedade ainda tão instável? No papel de gestores, temos que levar isto em conta quando contratamos profissionais de gerações distintas.

Claro que cada pessoa tem sua especificidade. Não é porque você é de uma geração que necessariamente seu comportamento será de um determinado jeito. Essa equação depende de um conjunto de variáveis: onde você foi criado, em qual comunidade, como pensam seus pais e avós, e sua própria personalidade.

Mas precisamos compreender que o modelo mental de cada membro da equipe pode ser diferente. Escutar o ambiente que nos cerca e as diferentes demandas dos nossos funcionários será fundamental ao gestor. Quanto mais próximos estivermos deles, quanto mais pudermos falar sobre a diferença de percepção acerca do mundo ao redor, e de nossas expectativas em relação a trabalho, motivação, engajamento e compromisso, maior a possibilidade de entendimento entre todos.

Não adianta achar que todos são iguais e têm que compreender as coisas com os mesmos parâmetros que os meus. Quando digo que um caminho é longo, este conceito está definido na minha cabeça. Pergunte o quanto seria “longo” para a pessoa do seu lado. Certamente a noção será diferente. Faça esta reflexão com os conceitos de “grande”, “pequeno”, “difícil”, “fácil”, “satisfeito”, ou quaisquer referências que você queira.

Somente a partir da constatação de que temos modelos mentais distintos, pensamos de formas diferentes e precisamos estabelecer uma comunicação que nos permita uma linguagem comum, seremos capazes de conversar de forma eficaz com todos os membros do nosso time e alcançar resultados extraordinários com nossas equipes.

[1] CARPINEJAR, Fabrício. Me ajude a chorar – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.

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