Stanton Chase
O NOVO LÍDER EM TEMPOS DE HOME OFFICE

O NOVO LÍDER EM TEMPOS DE HOME OFFICE

September 2020

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Durante a pandemia, liderar e motivar equipes requer um exercício de reaprendizado e criatividade.

Para compreender a amplitude dessa questão, pense que estamos falando de uma cultura latina, não de uma realidade americana ou europeia, embora estes times possam estar trabalhando em multinacionais de qualquer origem. Sabemos que no Brasil e em países da América Latina as equipes costumam trabalhar com suas equipes fisicamente presentes. Antes da quarentena, que empurrou profissionais de todos os segmentos para o home office obrigatório,   a cultura do trabalho remoto ainda não estava presente de  forma tão forte nas corporações, que ainda se baseiam, por questões históricas, no conceito de supervisão patriarcal, presencial, pois  acredita-se que os funcionários só produzirão se houver supervisão direta.

Provérbios como “é o olho do dono que engorda o boi” são comuns por estas bandas, embora eu possa dizer que é uma cultura em transformação. Acredito que, em larga escala, nenhum país está preparado para essa mudança cultural. Entretanto segundo pesquisa realizada em 2020 pelo MIT Iniciative, o Brasil é um dos países menos aptos para esta grande mudança. *1

Sabemos que as pessoas se sentem engajadas não apenas pela remuneração, ou por representar um lugar no desenho de uma estrutura. Mas as pelo sentimento de fazer parte de um time, de ter propósito naquele trabalho.

Assim, tenho perguntado intencionalmente nas minhas entrevistas de seleção com os executivos, o que esses profissionais estão fazendo para manter motivadas as equipes sob sua gestão. Em tempos de COVID-19, estes executivos, líderes de grandes times, precisam se reinventar para exercer sua liderança à distância. Certamente o Brasil é um país onde, nas grandes cidades, o trânsito é caótico e perde-se muito tempo no deslocamento entre casa e trabalho. Então, o home office deve ter vindo pra ficar. Este assunto é relativamente novo na nossa cultura, mas foi rapidamente absorvido pela realidade da vida do século 21.

Tenho encontrado algumas práticas altamente criativas por parte desses líderes para manter suas equipes integradas, mesmo à distância. Desde iniciativas de mandar para a residência de seus funcionários uma cerveja para a realização de um happy hour, até um bolo de aniversário para comemoração supresa de um aniversariante durante uma rotineira reunião de equipe. São pequenos estímulos que mantém o sprit de corps de um time.

Converso também com executivos de Finanças que estimulam suas equipes a não ficar somente no cotidiano de suas ações e lhes dão projetos a serem desenvolvidos ao longo do ano, com feedbacks dessas ações a cada mês. Ao mesmo tempo, com o objetivo de serem mais estratégicos, durante reuniões, estimulam suas equipes a pensar em formas   de ajudar  os executivos de ouras áreas na sua primordial função de parceiros estratégicos.

E este conceito é válido para qualquer função de suporte. Na verdade, todas as áreas são áreas fim hoje em dia. Todas são voltadas para o negócio e devem agregar valor!

Os executivos me dizem que o velho e bom telefone voltou a ser utilizado com mais frequência. São conversas diretas, onde há mais interação e emoção que não podem ser substituídas o tempo todo por mensagens de e-mail ou WhatsApp.

Os  aplicativos de videoconferência, como o Zoom ou Teams, também passaram a ser utilizados cotidianamente, mesmo que não existam assuntos específicos de pauta na reunião: isto reaproxima o time e, mesmo à distância, possibilita o “olho no olho “fazendo com que o executivo sinta os problemas pelos quais sua equipe está passando e levante    potenciais obstáculos que possam   surgir nesse momento conturbado.

Está claro que a maioria dos executivos já passou pela fase de apresentar os familiares nos encontros por videoconferência. Isto para que, de repente, se durante uma reunião, um filho pequeno entrar chorando ou gritando pela sala, não exista constrangimento. Da mesma forma que se um animal de estimação pular na frente do computador, todos entendam que somos nós quem estamos invadindo a vida privada de cada um dos colaboradores. Apresentar os familiares é mais do que respeito: é dizer que sua vida pessoal importa e queremos que o funcionário esteja bem, com algum suporte para poder trabalhar e dedicar-se por algumas horas à empresa.

Um dos executivos me contou que diversos membros de sua equipe agora tiveram que absorver diversas tarefas. Com filhos em homescholing, é preciso ajudar as crianças com as lições, além de preparar refeições, lanches e solucionar questões do cotidiano doméstico. E depois ainda dedicar um tempo maior à limpeza da casa e dos utensílios – atividades que consomem horas em um processo muito mais exaustivo do que na era pré-Covid.

Então, esse executivo, em conjunto com a equipe de RH, pediu que as equipes definissem intervalos de trabalhos maiores do que somente o horário de almoço para que pudessem se dedicar às tarefas domésticas e de atenção aos filhos. E com isso refazer sua escala de trabalho. Alguns preferiram trabalhar aos sábados, mas optaram por dedicar algum tempo às crianças durante a semana. Outros estenderam o horário produtivo, criando intervalos ao longo do dia para conciliar com as necessidades da casa.

Essa capacidade de ser flexível, de compreender as necessidades individuais de suas equipes, faz dos líderes em tempos de home office profissionais do Smart Working, que de fato trabalham de forma mais saudável, baseando sua liderança não só no controle/submissão/medo, mas na liderança pela autonomia, afeto, desenvolvimento e pela compreensão de valores sociais. Afinal não há mais como ficar alheio a estas questões quando integramos o home office na vida corporativa das nossas equipes de trabalho, transformando o ambiente em que nos inserimos numa estrutura social mais ampla e inclusiva, por mais paradoxal que isso possa parecer.

*1 https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/06/29/brasil-e-o-quinto-pais-com-maior-dificuldade-para-o-home-office.ghtml

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